O crédito continua desempenhando um papel relevante na vida financeira dos brasileiros, mas muitos consumidores ainda enfrentam dificuldades para acessar crédito devido aos altos custos de empréstimo, critérios de concessão de crédito e informações limitadas sobre histórico financeiro. Nesse contexto, dados alternativos, como o pagamento pontual das contas básicas de serviço e o histórico de uso de soluções como Compre Agora, Pague Mais Tarde (BNPL), ganham relevância como ferramentas para expandir a inclusão financeira e contribuir para avaliações de crédito mais abrangentes. Essas são algumas das conclusões que a TransUnion chegou com base em uma pesquisa Consumer Pulse do 2.º trimestre de 2026.
De acordo com a pesquisa, 92% dos brasileiros consideram o acesso a créditos e produtos de crédito importante para alcançar seus objetivos financeiros. Apesar disso, apenas 54% disseram ter acesso suficiente, enquanto 45% consideraram solicitar novos créditos ou refinanciar créditos existentes, mas acabaram decidindo não fazê-lo. Entre os principais motivos estão os custos altos, citados por 44% dos entrevistados, e preocupações relacionadas ao histórico financeiro ou à comprovação de renda, mencionadas por 17% e 16%, respectivamente.
Segundo Helena Leite, especialista de mercado do setor bancário da TransUnion Brasil, a incorporação de dados alternativos na análise de crédito, como pagamentos de aluguel , histórico de empréstimos de curto prazo e empréstimos para comprar agora, pagar depois , pode ajudar a reduzir a assimetria entre credores e tomadores, especialmente entre consumidores com histórico bancário limitado.
O estudo revela que 58% dos entrevistados acreditam que sua pontuação de crédito aumentaria caso as instituições financeiras passassem a considerar dados alternativos durante a análise.
“Historicamente, a falta de um histórico bancário tradicional inviabilizou o crédito para grande parte da população. O uso de dados alternativos muda essa dinâmica, pois permite avaliar o comportamento de pagamento real do consumidor em seu dia a dia”, afirma Leite.
Segundo a especialista, esse tipo de informação ajuda a revelar perfis que antes ficavam à margem do sistema financeiro. “Ao incluir o comportamento de pagamentos de contas de telefone, luz e água, conseguimos refinar os modelos de avaliação de risco, reduzir o atrito na concessão e dar oportunidade a quem sempre honrou seus compromissos, mas que permanecia invisível para o sistema financeiro”.
O acesso ao crédito tornou-se um pilar central no planejamento financeiro das novas gerações, considerado importante para alcançar metas financeiras por 97% da Geração Z e 93% dos Millennials. Essa relevância acompanha a consolidação da transformação digital no Brasil, onde 53% dos consumidores relataram ser clientes de FinTechs, bancos digitais ou modalidades como “compre agora, pague depois (BPNL)”. A preferência por essas instituições tem crescido de forma interessante, com 74% daqueles que disseram ter um produto de um banco digital, FinTech ou provedor BNPL relatando que o produto é de um banco digital, superando significativamente os 56% registrados no segundo trimestre de 2025.
Paralelamente, o comportamento do consumidor passou a exigir respostas imediatas e maior autonomia. A agilidade se tornou um requisito indispensável, com 80% dos brasileiros apontando a aprovação em tempo real como um fator importante na hora de solicitar empréstimos digitais. Ao mesmo tempo, nota-se uma busca crescente por empoderamento financeiro, evidenciada pelo fato de 69% dos entrevistados considerarem extremamente ou muito importante o monitoramento ativo de seus próprios relatórios de crédito.
Na avaliação de Helena Leite, o avanço das soluções digitais também pressiona o mercado financeiro a rever seus processos de análise e aprovação. “O consumidor espera uma experiência sem fricção e transparente. Quando 80% apontam a aprovação em tempo real como fator decisivo em empréstimos digitais, fica claro que a jornada de crédito precisa combinar conveniência com segurança”, diz. Para a especialista, modernizar a análise de risco com dados alternativos não significa flexibilizar critérios, mas torná-los mais aderentes à realidade financeira dos brasileiros. “A inclusão de novas fontes de informação fortalece a tomada de decisão das instituições e, ao mesmo tempo, amplia ao acesso responsável ao crédito”, conclui.
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